A política da boa vizinhança diria pra que eu, antes de mais nada, pedisse desculpas pelo sumiço. Parte de mim está realmente considerando isso, enquanto a outra batalha pelo direito de sair do senso comum. A verdade é que os últimos quatro meses foram de absoluta intensidade - na minha vida pessoal e profissional - e eu não tive tempo nem condições de manter o blog ativo. E não há desculpas para isso, é apenas a realidade.
Acontece que os últimos quatro meses também foram de muitas descobertas e experimentos, a fim de descobrir como é viver sem glúten e entender o que o meu corpo tem a ver com tudo isso. Além disso, também foi um período de repensar minha relação com esse blog - seu propósito, sua intenção, após essa mudança drástica na minha alimentação, também haveria de mudar, naturalmente. Pensando nisso, fui registrando algumas das minhas experiências na cozinha ao longo desses meses e, além de testar e adaptar receitas, pensei bastante sobre tudo isso e decidi compartilhá-las com vocês.
A grande reflexão que fica de tudo isso é que não é o fim do mundo viver sem glúten. É possível. A minha primeira mudança foi com relação à atitude. Eu não tenho pena de mim mesma por não poder comer. Trato como se fosse uma alergia, e não fico arrumando desculpas. Quando chego num lugar, quando alguém está comendo algo ou me oferece alguma coisa, eu só digo, calmamente "Obrigada, eu não posso." - e a vida segue. Sem dor ou mágoa. Eu entendi que essa é a minha vida daqui pra frente, e cabe a mim gerar todas as mudanças necessárias pra que eu não sinta falta de nada.
A segunda mensagem é que é necessário um sistema de apoio. Eu tenho a sorte de ter o Pietro (Deus o abençoe!), mas pra quem não tem um parceiro incrível como esse, eu recomendo ter alguém por perto - um amigo, um irmão, um parente, seus pais - pra dar esse suporte no comecinho. Não é fácil. Depois das primeiras semanas de adaptação em casa, também percebi que posso contar com a minha família. Ô gente especial que caiu no meu mundo. Sou muito grata por toda a ajuda que tenho recebido de todos - não sei se seria possível sem eles!
E a terceira e indispensável dica é: não é preciso inventar a roda. Pra que tentar começar do zero se existem outras pessoas que já fizeram isso antes? Tentar se fazer de pessoa superpoderosa não vai te levar a lugar nenhum. Corra atrás de quem já fez isso antes. Existem vários blogs e sites na internet (tipo esse aqui 😊); existe o YouTube, com alguns bons canais de receitas sem glúten (posso deixar algumas indicações na barra lateral do blog); existem algumas lojas de produtos sem glúten e sessões dos bons mercados com produtos sem glúten; e existem vários livros de receitas - mas nem todos vão valer o seu tempo e dinheiro.
Como eu disse ali em cima, eu tenho um parceiro incrível. Quando a doença foi descoberta, o Pietro fez questão de usar as suas habilidades de pesquisa pra encontrar um livro de receitas sem glúten que fosse útil. Ele encontrou muita bobagem por aí. Desde livros de receitas cheios de salada sem glúten (Oi?!), até livros que prometiam receitas sem glúten, sem ovo, sem lactose, sem açúcar - ou seja, sem nada gostoso (rsrs). Não desmerecendo a necessidade de quem vive com todas essas restrições, longe de mim, mas a verdade é que eu não preciso delas. Eu só preciso descobrir como viver sem glúten. O resto é outra história.
Com muita luta e procura, eis que ele encontrou esse livro:
A autora, Denise Godinho, tem um filho com alergia ao glúten nascido nos anos 90 - antes de todas as facilidades da vida sem glúten terem chegado pra nós. Ela sempre teve habilidade na cozinha, e nunca quis que seu filho tivesse que deixar de comer as coisas por conta de sua alergia (difícil pra caramba de diagnosticar), então ela decidiu criar receitas equivalentes sem glúten.
Note uma coisa importante: ela não cortou o glúten da dieta pra perder peso, ou "ficar saudável". Ela cortou o glúten das receitas dela, porque o filho dela não podia comer sem passar mal e ficar todo empolado. Essa é a grande diferença: ela não precisava fazer receitas sem glúten veganas, sem açúcar, diet ou low carb. Ela só precisava que elas fossem tão gostosas quanto as comidas normais. E é aí que começa a magia.
Nas próximas semanas, estarei postando as peripécias que andei aprontando nos últimos meses - com base nesse livro, principalmente, mas também com algumas ajudinhas extra - e gostaria de compartilhar toda a experiência e aventura que tem sido viver sem glúten.
Por enquanto, deixo aqui o link para adquirir esse livro (meu novo livro de cabeceira), que está sendo um grande aliado nessa luta. Ao longo dos posts também contarei o que achei falho nele, o que precisei adaptar, e o que precisei buscar em outras fontes, porque ele não tem tudo, infelizmente (rs). Mas a minha cópia já está toda amassada, suja de comida, e começando a soltar da lombada - todos sinais de estar usando ele o tempo todo.
Obrigada por estar comigo nessa transição. O blog também está em fase de transformação e algumas mudanças estão por vir. Enquanto isso, um beijo e um brinde, sempre à boa comida. ♥

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