Sou celíaca, e agora?!



Passei boa parte desse último mês na reta final da investigação pra descobrir o que me fazia passar mal com tanta frequência. Quem anda comigo sabe que eu já tive fase de restrição de quase tudo, pra ver se alguma coisa adiantava. Já fiquei um ano sem glúten, um ano sem leite, outro sem carne vermelha, e por aí vai... Chegava a ser cômico quando a família ou os amigos perguntavam "Qual é a sua restrição da vez?" Parecia até  que eu tava seguindo dieta da moda - mas juro que não era.

Acontece que descobri, após endoscopia, biópsia e exames de sangue, que sou celíaca. Isso quer dizer, pra quem não sabe, que eu não posso - nunca mais - ingerir glúten. Sabe aquelas dietas da moda? Então, tem muita gente que anda tirando o glúten da dieta, porque "emagrece". Olha, se considerar que ele está em boa parte dos carboidratos comuns e nas junk foods mais famosas e fáceis de encontrar, dá pra imaginar que viver sem ele emagreça, mesmo - mas não necessariamente por cortar o glúten, que fique claro.

Enquanto essas pessoas estão fazendo essa escolha, voluntariamente, eu fui notificada que, pelos últimos 6 anos, aproximadamente, eu estive ingerindo esse veneninho - que pode ser fator de risco pra câncer linfático, por exemplo - sem saber que era tão perigoso.

Passado o choque inicial (que, confesso, envolveu chorar até dormir abraçada no meu macaco de pelúcia, desconsolada, arrasada), bola pra frente, né? Como faz, agora que não pode mais comer bolo, biscoito, pizza, macarrão??

Bom, depois de sentar e chorar, como a pessoa normal que sou, eu resolvi comprar um livro que prometia 250 receitas sem glúten. Foi um livro digital, custou 50 reais, mas não recomendo. Das 250, umas 150 receitas já não levam glúten, mesmo, então achei um pouco sem propósito. Eu esperava encontrar receitas de pães, bolos, biscoitos e pizzas feitos com farinhas alternativas, sem glúten. Minha busca ainda não terminou - eu ainda vou encontrar essas receitas, e compartilhar no blog depois - mas a compra não foi de todo inútil.

Com isso, me veio a ideia - que já pairava pela minha mente, mas ficou mais clara depois da decepção - de fazer uma lista de coisas que já são gostosas e já sem glúten.

Então, aqui vão, os top 5 dessa lista:

1) Pipoca 


Essa queridinha dos cinemas é uma das minhas melhores amigas - e uma excelente opção de lanche, sabia? Bem pouco calórica (mesmo se feita com óleo, como deve ser), fica pronta em menos 5 minutos e agrada qualquer um, quando bem feitinha.

Quer saber o segredo para a pipoca perfeita? Aqui vai:

Forre o fundo de uma panela com óleo e cubra de pipoca. Se a sua panela for alta (tipo um caldeirão), o seu trabalho acabou aí. Espere estourar toda - quando os espaços entre um estouro e outro forem maiores do que 2 segundos - vire numa bacia e seja feliz.

Se a sua casa tiver apenas panelas pequenas, escolha a menor delas (sim, confia em mim) e repita o mesmo processo. Caso você queira uma porção maior - pra duas ou mais pessoas - dobre a "camada" de pipoca (e a de óleo também!). Espere ela começar a estourar e tampe a panela. Fique de olho. Quando a tampa começar a levantar (sim, a pipoca tem esse poder, haha), segure pelo cabo com cuidado e vire numa bacia com o auxílio da tampa, retirando a pipoca de cima, lembrando de deixar uns dois dedos de pipoca já estourada dentro da panela. Dê uma boa sacudida para que os grãos de milho voltem para o fundo e volte para o fogo alto. Repita o processo até que toda a sua pipoca esteja estourada e, novamente, seja feliz.

2) Cuscuz

Mais brasileiro impossível, o cuscuz de milho é uma excelente opção de café da manhã que substitui muito bem o pão francês.

Muita gente tem dificuldade de acertar o ponto do cuscuz - eu sei que pode ser difícil, mesmo - então aqui vai a minha receita para um cuscuz infalível.

Dá até pra fazer no microondas, acredita?

1 xíc de flocão de milho
1/2 xíc de água
1 pitada de sal

Misture todos os ingredientes em uma cumbuca e deixe hidratar por uns 10 minutos. Enquanto isso, ferva água para a sua cuscuzeira (isso vai ajudar ele a cozinhar mais rápido, mas não é obrigatório).

Quando vir que o flocão inchou, dobrou de tamanho e já não está encharcado ao toque da mão, arrume seu cuscuz na parte de cima da cuscuzeira (com a água fervida por baixo), tampe e leve ao fogo médio. Essa quantidade dá uma porção pequena, para duas pessoas, e enche uma cuscuzeira pequena. Cozinha em 5 minutos.

Caso sua cuscuzeira seja daquelas grandes, tradicionais, dobre a receita. Para uma porção individual, faça apenas metade. O segredo é só manter a proporção - uma parte de flocão para meia de água. Não tem erro!

3) Sushi

Sim, não precisa se desesperar - o sushi, como é feito de arroz e peixe, não contém glúten. É uma notícia muito aliviante, pra quem acha que perdeu toda a graça de viver quando descobre que não pode mais comer glúten.

É importante só tomar cuidado com o tipo de sushi - hoje em dia, encontra-se de tudo nos restaurantes japoneses. Tem que fugir daqueles empanados, hot philadelphia, "crispy", essas coisas, que eles são cobertos de farinha de trigo ou de rosca, cheios de glúten. Mas se você se ativer aos tradicionais (que são meus preferidos, pra ser sincera), não há o que temer.

4) Batata

Frita, assada, cozida, amassada, ralada, chips, palha, gratinada, sopa - fala sério, tem algum jeito ruim de comer batata? Acho que só crua!

É meu ingrediente número 1 em casa. Se ficar perto de acabar, eu já sinto crise de abstinência. Dá pra fazer um post inteiro de quantas formas incríveis dá pra se comer batata e ser muito, muito feliz.

Por hoje, só quero deixar a dica master: dá pra fazer batata assada no microondas!

Quase todos os microondas têm a opção "batata assada" - corre lá pra ver se o seu também tem! Se tiver, tudo o que você precisa fazer é lavar sua(s) batata(s) e colocá-la(s) dentro de um saco plástico limpo. Pode dar um nó frouxo nele, e colocar no micro. Os botões de batata assada geralmente deixam você escolher a quantidade. Aí é só esperar ele terminar a brincadeira e ser feliz. Corte as batatas ao meio, jogue uma manteiguinha (ou azeite, se você tiver com restrição a lactose), um salzinho e pronto - um jantar a meio caminho andado.

5) Farofa

A melhor amiga de um churrasco, da feijoada, do frango assado, do domingo à tarde... a farinha de mandioca também não contém glúten, naturalmente.

Além de ser um excelente substituto pra farinha de rosca na hora de fazer um empanado, ela também pode virar uma farofa incrível e inesquecível.

Dá pra fazer de tudo quanto é jeito, e também rende um post inteiro no futuro, mas aqui vai a versão fácil, rápido e deliciosa - que vai bem com churrasco, feijoada, etc. Um ótimo curinga!

100-200g de bacon cortado em cubinhos
1-2 cebolas cortadas em cubinhos
3 dentes de alho picados ou amassados
300-400g de farinha de mandioca branca fina (é a minha preferida, mas pode ser a que você quiser)

Frite o bacon em uma frigideira grande ou panela larga, até que toda a gordura se solte e ele fique douradinho. Adicione a cebola e deixe que ela fique transparente. Adicione o alho e refogue brevemente. Tempere a gosto. Adicione a farinha e misture bem. Se estiver seca, adicione manteiga (ou óleo, margarina, azeite) aos poucos. Se gostar, deixe dourar um pouquinho e sirva.

Esse foi o primeiro de uma série de posts que vão ser a cara do blog a partir de agora, porque, apesar de toda a dor e a choradeira, dá pra ser feliz sem glúten - comendo coisas gostosas, por favor!

Pra começar, quis trazer alguns elementos já sem glúten e já muito gostosos que já fazem parte da minha dieta, mas ainda há muitos outros - doces, por exemplo, devem ser a próxima atração - e outros tantos que serão adaptações sem glúten de receitas tradicionalmente feitas com trigo / aveia / cevada / etc.

Agradeço a força e a ajuda pra passar por essa adaptação e entrar na nova fase sem perder a cabeça. Deixa pra mim aqui nos comentários o que mais você conhece que não tem glúten, e o que você gostaria de aprender a fazer sem esse monstrinho.

Um beijo e um brinde, sempre à boa comida!

#amorimnoprato #glutenfree #semglúten 

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